Por Ana Lemos/Red.Matriz
Me diz a verdade, quando você pensa na Parada LGBT+, vem aquela imagem de uma extensão do carnaval, né? Mas vim aqui pra te lembrar que o evento começou como um grande protesto e continua sendo, até hoje, uma manifestação política para dar visibilidade à comunidade e, principalmente, para conquistar direitos básicos, entre eles, a liberdade.
O evento, no Brasil, tem cerca de 30 anos, mas vamos voltar no tempo e entender o porquê esse movimento surgiu. Imagina a cena: 28 de junho de 1969, lá em Nova York (Estados Unidos), no bar Stonewall Inn, frequentado majoritariamente por membros da comunidade gay, região inclusive conhecida como gueto homossexual. O local foi invadido por policiais, destinados a reprimir pessoas gays e lésbicas. Vale lembrar que era um tempo bizarro, onde pessoas LGBTQIAP+ eram consideradas doentes mentais. Bares e clubes que os acolhiam funcionavam de forma clandestina e eram frequentemente submetidos a agressões policiais, com o bar em questão sendo invadido da mesma forma três dias antes.
Porém, nessa noite, a população reagiu e iniciaram uma batalha que durou quase seis noites. Esse episódio ficou conhecido como “A Revolta de Stonewall”. Agora você entendeu o porquê o dia do orgulho LGBT+ é comemorado no dia 28 de junho?
Claro que Stonewall não foi a primeira mobilização contra a violência policial, mas foi a que teve maior adesão popular e hitou tanto que serviu como combustível para levantar diversas pautas, não só envolvendo a comunidade gay. As revoltas impulsionaram o movimentos dos operários, feminista e o movimento negro, saindo dos EUA e atingindo outros países que também necessitavam de mudanças. Afinal, quando uma porta se abre para os direitos humanos, todo mundo ganha, né?
Um ano depois, a galera ocupou as ruas de NY em marcha da rua Christopher, onde ficava o Stonewall até o Central Park, demonstrando afeto em público e gritando, em alto e bom som, bordões em defesa dos direitos civis. O protesto virou tendência e o resto é história.
No Brasil, a primeira Parada rolou em São Paulo, em 1996. E ó, nada de Avenida Paulista ainda, viu? O ponto de encontro foi a Praça Roosevelt e pouca gente apareceu, porque o medo do preconceito fazia a galera preferir o anonimato. O jogo virou no ano seguinte, realizado na Avenida Paulista, reunindo mais de duas mil pessoas, fazendo com que o “orgulho gay” ficasse na boca do povo (e dos jornais).
Uma curiosidade engraçada é que a polícia não queria liberar a Parada acontecer, proibindo a circulação dos carros de som, mas a drag queen Kaká Di Polly, enrolada numa bandeira do Brasil, forjou um desmaio como distração e assim o público acompanhou os carros enquanto os policiais tentavam socorrê-la.
Atualmente, a Parada do orgulho de SP é a maior do mundo, porém teve uma queda no patrocínio deste ano, perdendo 60% dos apoiadores. O motivo? Crescente onda de radicalismo, conservadorismo e banalização dos casos de homofobia… muitas marcas abandonaram o evento, pois é, o pink money sumiu.
A comunidade, mais uma vez, deu a volta por cima e isso fez com que o caráter político voltasse para a festividade, motivando os artistas abdicaram de seu cachê para estarem presentes e levantaram o tema deste ano: “30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma”. O foco total foi lembrar a galera da importância do voto consciente, lembrando também que a primeira Parada não dependeu de patrocínio e a edição de 2026 lembrou o real motivo dessa tradição para a população.
Em São Paulo, a marcha, como sempre, foi um sucesso. Já a Parada em Brasília ocorrerá domingo, 26 de julho, na Esplanada dos Ministérios, com concentração em frente ao Congresso Nacional. Depois dessa tour histórica, você não vai perder a chance de fazer parte da história e prestigiar o evento, né?
Afinal, ocupar as ruas e lutar por direitos exige coragem, mas também nos lembra de que a trajetória é feita de resistência e poesia. Como já cantava o mestre Milton Nascimento, na força de cada um que bota a cara no mundo:
”…É preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria…“
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