Por Maria Júlia/Red.Matriz
Remakes de filmes, filtros que imitam câmeras vintage, live actions de animações dos anos 80, relançamento de brinquedos antigos, vinis e polaroids por todo lado… parece que tá todo mundo com saudade dos anos 80, 90 e 2000, até mesmo quem nem era nascido na época. Ao que tudo indica, os jovens estão mais nostálgicos do que nunca.
Originada do Grego, a palavra nostalgia (nostos + algia/algos) foi usada inicialmente para se referir a uma doença cujo sintoma era a melancolia de quem deseja voltar ao seu lar, diagnóstico sólido de soldados que estavam sofrendo com a saudade de casa. Atualmente, o significado é um pouco mais leve, mas ainda melancólico: está associado à saudade idealizada de um momento, pessoa ou lugar que ficou no passado e não volta mais. Sabe aquela tristeza que bate quando a gente escuta a música da introdução de Phineas e Ferb? A saudade da infância, dos amigos e da magia das férias escolares? É pura nostalgia! Até mesmo alguns perfumes são capazes de nos transportar diretamente para o passado.
E por que é tão legal lembrar do passado?
Atrelada ao âmbito emocional, a nostalgia nos faz, inconscientemente, atribuir certas músicas, cheiros e produtos a lembranças felizes de tempos mais simples. O famoso “celular tijolão”, por exemplo, não chega nem perto dos smartphones atuais, mas a memória do jogo da cobrinha e de uma vida sem preocupação com as redes está associada a parentes, amigos e momentos vividos que estão cada vez mais distantes.
É por isso que, mesmo com a praticidade oferecida pelos serviços de streaming, a quantidade de colecionadores de discos continua crescendo. Diante desse cenário de rápidas transformações, há uma busca por intencionalidade e envolvimento físico com o som. Pôr uma faixa inteira para tocar proporciona um ritual que desacelera o ritmo da vida urbana e conecta verdadeiramente o ouvinte ao som.
Além disso, nosso cérebro não lembra as coisas como de fato eram, mas como as sentimos. Nesse sentido, quanto pior estiver o presente, mais atraente ficará o passado. Dessa forma, se os adultos de hoje vivem preocupados com as contas, o trabalho e a família, eles também viverão com saudade de quando seus únicos problemas eram o dever de casa e a hora de dormir. Nesse caso, a nostalgia não é só aquela saudade feliz de algo que foi bom, mas uma verdadeira melancolia, marcada pela tristeza de um tempo que não volta. Portanto, o sentimento é bom, mas exige certo cuidado: a nostalgia não deve ser uma fuga do presente. O equilíbrio é a peça-chave para não confundir saudade e saudosismo.
Tá, mas… Como a indústria lucra com isso?
Como apontado anteriormente, o passado parece muito mais interessante em tempos de crise, mas, na falta de uma máquina do tempo, o que nos transporta aos “bons tempos” é a nostalgia.
E é claro que a indústria também sabe disso! É por causa do sentimento proporcionado pela nostalgia que as marcas se arriscam no relançamento de itens que fizeram sucesso no passado. No entanto, as estratégias de venda não se limitam só ao reaproveitamento de produtos antigos: a nova campanha do Guaraná Antarctica resgatou a emoção das copas passadas e transformou as latinhas de refrigerante em itens colecionáveis, conectando o consumidor aos tempos de glória do nosso futebol.
Essa realidade torna evidente que as pessoas não compram um produto somente por sua eficácia, mas por fatores emocionais, pelo desejo de lembrar de bons tempos, pela sede de reviver alegrias antigas. A nostalgia vende, e vende muito, porque o sentimento é o melhor produto que existe: não estraga, não sai de moda e você sempre quer mais.
Deixe uma resposta