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Além do Currículo

Por Ane Caroline/Red.Matriz

Se você estuda na Universidade Católica de Brasília e ainda não ouviu falar da Matriz Comunicação, esse texto é pra você. A Matriz é a empresa júnior de comunicação da UCB. Uma organização criada, gerida e operada pelos próprios estudantes. Sem chefe de fora, sem salário, sem atalhos. Aqui, quem toca as coisas são os próprios alunos.

Mas você se pergunta: “Como assim sem salário?” É isso mesmo. E é exatamente essa a parte que mais gera dúvidas em quem olha de fora. “Por que alguém dedicaria horas da semana a uma empresa que não paga nada?” A resposta é mais simples e mais profunda do que parece.

Mas afinal, o que é uma empresa júnior?

As empresas juniores existem dentro de universidades no Brasil inteiro e são regulamentadas pela Lei nº 13.267/2016, a Lei das Empresas Juniores. Por lei, elas não podem distribuir lucro nem pagar os membros, ou seja, tudo que entra é reinvestido na própria organização. O objetivo é educacional: dar aos estudantes experiência prática real antes de entrarem de vez no mercado.

Na Matriz, isso significa prestar serviços de comunicação de verdade: criar conteúdo, pensar em estratégias, escrever, fotografar, editar etc. Tudo com cliente, briefing e prazo real. É o tipo de experiência que nenhuma grade curricular entrega sozinha.

Uma visão de dentro

Quem escreve este texto também faz parte dessa história. Entrei no curso de Publicidade e Propaganda em setembro de 2024, depois da maioria da turma, às vésperas das provas finais. Não queria só assistir à universidade acontecer, ver tudo passar e simplesmente não aproveitar a oportunidade de estar ali, queria fazer parte de algo. Um ano depois, em setembro de 2025, entrei para a área de redação da Matriz.

O que eu não esperava descobrir é que boa parte do que aprendi sobre redação publicitária e da própria área de publicidade e propaganda em si viria daqui, não só da sala de aula. Escrever para a Matriz e observar o que acontece, como reuniões, eventos, entre outras coisas, é diferente de apenas receber os conteúdos em sala, sem uma vivência de como realmente é. Na EJ, o que é feito nela, como: criar algo, alimentar redes, escrever, produzir, etc… tem um cliente por trás, existe um prazo de entrega e tem consequência caso dê tudo errado. Isso muda tudo.

Quem também escolheu ir além

Maria Júlia Lopes, 3º semestre de Jornalismo, entrou na Matriz ainda no primeiro semestre do curso. Ela faz parte da área de redação e, em menos de um ano, já passou por coberturas fotográficas, reuniões de estratégias para as redes sociais e edição de vídeos curtos, algo que buscou por conta própria, fora da sua função original.

O motivo de entrar? Ela se sentia crua na área e precisava de experiência real.

“A EJ foi o lugar ideal, justamente porque é um ambiente pensado para alunos, para quem está tendo o primeiro contato com uma graduação e quer ir além da grade horária.”

A realidade, claro, não é só glamour. Maria Júlia concilia a Matriz com os cuidados dos irmãos mais novos em casa e chegou a pensar em sair no começo, quando achou que não conseguiria estar presente fisicamente. A saída foi conversar com a gestão e adaptar a rotina. Hoje atua em home office e vai à UCB quando pode.

“Me organizo bastante no calendário para não deixar uma coisa se sobrepor à outra. Tudo tem seu lugar.”

O que não aparece no currículo

Quando perguntada sobre o que a Matriz deu que a sala de aula não daria, Maria Júlia não hesita: a experiência de lidar com o mercado, se comportando como profissional e tentar o que ainda não sabe fazer. Antes da EJ, ela só fazia o que já dominava. Aqui, aprendeu que errar faz parte do processo.

“O que levo da Matriz é a ousadia de tentar o novo. Aqui, entendi que é preciso sair da caixinha para crescer.”

E se pudesse falar pra si mesma antes de entrar? “Vai fundo, aproveita todas as oportunidades e colhe o melhor de cada área. É aqui que você vai conseguir as primeiras munições para construir seu portfólio.”

E Então, vale a pena?

A Matriz é o único estágio que aceita você no primeiro semestre, sem experiência, sem portfólio e sem cobrança de conhecimento prévio. Mais do que isso: ela ainda te ensina a construir tudo isso.

Em um mercado que exige portfólio de quem ainda não teve a chance de montá-lo, a empresa júnior ocupa esse espaço. Sem salário, sim. Mas com experiência real, network de verdade e a certeza de que você não passou pela universidade só assistindo.

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